Se nos dissessem que íamos atravessar um longo período, no qual teríamos de nos reinventar e apreender a viver em confinamento diríamos impossível! Como se consegue mantém a sanidade mental, em casa, dia após dia?

Temos rotinas e necessidades mas nenhuma delas se compadece com um confinamento a 100%. Mas a realidade mostra-nos que estávamos enganados e que, em momentos cruciais, somos capazes dos maiores desafios e sacrifícios em nome do bem maior.

O isolamento já vai longo e a verdade é que não só nos estamos a reinventar e readaptar, como a superar o desafio.

Trabalhar a partir de casa passou a ser normal. Vamos habituando-nos a ter, no mesmo espaço, a família, a rotina doméstica, a escola dos mais novos e obviamente, o trabalho. Conciliar vida pessoal com profissional não é fácil e talvez poucos estivessem habituados à experiência mas a verdade é que é possível e talvez, em alguns casos, seja desejável.

Porém, esta nova realidade trás consigo desafios e é fundamental estar atento. Seremos capazes de nos manter “mentalmente saudáveis” com tanta mudança?

Para não entrar em desespero quando tudo parece incerto e propício a alimentar angústias e discussões, há que tentar encontrar soluções  para manter a calma e normalidade.

Cumprir rotinas e rituais

Levantar a horas certas, tomar banho, vestir, comer, trabalhar (ou teletrabalhar), interagir com as crianças e partilhar tarefas domésticas ajuda a manter o ritmo. Os rituais ao serão e na hora de adormecer têm uma razão de existir: actuam como âncoras e devolvem um sentimento de segurança e ordem. Devemos mantê-los, adaptando-os ao tempo e às actuais condições: ouvir o podcast, ver a série favorita na TV, trocar mensagens ou telefonemas, ler um livro, contar uma história, tomar um chá, entre outras.

Manter o contacto, mesmo à distância

O isolamento social tem um efeito silencioso e perturbador. Fazer videochamadas a familiares, amigos e colegas reduz a barreira invisível gerada pela sensação de estar só. Em situações excepcionais, medidas excepcionais.

Definir limites e clarificar expectativas 

Ficar em casa não é sinónimo de estar disponível a qualquer hora para todos. Existe a dose certa de atenção a dedicar a cada. Não estamos de férias! Partilhar o mesmo espaço pode implicar definir horas e rotinas para todos. No começo estranha-se, depois entranha-se. Esperar que as coisas funcionem todas de feição, sem falhas, sem flutuações no rendimento nem alterações no comportamento é uma crença. Não vai ser como gostaríamos. As quebras de concentração, a dispersão, as reacções bruscas ou atípicas vão acontecer. A solução passa por saber lidar com elas.

Dieta informativa e moderação nas redes sociais

É fundamental limitar o tempo de permanência online, mesmo que seja só para não se perderem horas de sono. As interacções devem ser controladas na quantidade e na qualidade. Optar-se por fontes de informação credíveis e pensar por nós próprios, sem nos deixarmos enredar em debates inúteis é a melhor opção.

Evitar discussões 

Bastam alguns dias de clausura para que uma conversa inócua se converta numa via para escoar tensão acumulada. Dia após dia, as dúvidas e incertezas acumulam-se e é altamente provável que nos “salte a tampa”. Comportamento gera comportamento. Afastarmo-nos temporariamente antes que se atinja a gota de água pode ser a solução.

Combater o tédio aprendendo com ele

Num ápice, todas as rotinas mudaram. A vida social e familiar foi suspensa. Deixámos de ir ao local de trabalho, ao ginásio, ao cabeleireiro, de fazer actividades ao ar livre, de ir ao restaurante, a espectáculos e não somos indiferentes a isso. É, no entanto, algo a que sobreviveremos, havendo abertura mental para se permitir fazer algo diferente. No início pode ser não fazer mesmo nada! Mas a vontade de fazer algo novo irá surgir. Desenhar, dançar, praticar actividade física em casa, cozinhar, vão ser realidades e não se devem deixar de fazer. Os resultados podem ser surpreendentes, dando lugar à descoberta de talentos desconhecidos.

Testar, testar, testar 

O método de tentativa e erro e a flexibilidade aplicam-se à vida em geral e à dinâmica familiar e pessoal, em particular. Se hoje limpamos a casa, amanhã podemos aligeirar essa tarefa. Se a resolução de um problema não surtiu o efeito desejado, poderá experimentar-se algo novo amanhã. Fazer exercício físico sem a presença de colegas ou do professor, é um teste que merece ser feito. A maior disponibilidade física e mental trará boas surpresas.

Comunhão e bom senso 

Todos somos diferentes: introvertidos, extrovertidos, calmos ou agitados…as diferenças que nos separam, de personalidade e outras, não impedem que estejamos expostos aos mesmos desafios. Conviver sem atritos no confinamento – que trará mais dificuldades a uns que a outros – é um desafio mas pode ser superado. A solução pode passar por organizar o dia de trabalho e depois disso, um serão temático, um jogo de tabuleiro, a leitura de um livro ou, simplesmente, relaxar. Contactar a família e amigos para conversar, dizer disparates e divertir-nos é essencial. Apreciar o que temos e, no final de cada dia, cultivar o hábito de enumerar uma ou mais coisas pelas quais nos consideramos gratos.

É em fases de condicionamento que se toma consciência do quanto podemos aprender com os outros e experimentar novas formas de estar.

A realidade mudou, o mundo mudou mas nós também podemos mudar e encontrar novas formas de viver o dia-a-dia.

 

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